Governo brasileiro mantém apoio a Zelaya, diz secretário-geral do Itamaraty
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores, Samuel Pinheiro Guimarães, reiterou hoje (6) que o governo brasileiro mantém o apoio ao presidente deposto de Honduras, Manuel Zelaya, e rechaça qualquer ameaça à democracia e tentativa de golpe de Estado.
A posição foi ratificada durante reunião com integrantes da missão parlamentar brasileira que foi a Honduras.
Segundo os deputados que fizeram parte da missão, a diplomacia brasileira está convencida de que está próximo um acordo para encerrar a crise no país vizinho. “O embaixador Pinheiro Guimarães disse, mais uma vez, que o governo brasileiro não reconhece um governo golpista e que isso é um péssimo exemplo para a América Latina. Para ele, um acordo está bem próximo”, afirmou o deputado Ivan Valente (P-SOL-SP).
O deputado Maurício Rands (PT-PE) disse que os diplomatas brasileiros consideraram positiva a participação dos parlamentares na missão a Honduras. “O secretário-geral ratificou a posição do governo e elogiou a missão parlamentar por ter contribuído para preservar os direitos dos cidadãos brasileiros que vivem em Honduras, assim como para reduzir a tensão no país vizinho”, afirmou.
Além de Rands e Valente, participaram da reunião no Itamaraty os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e Bruno Araújo (PSDB-PE). A conversa durou cerca de uma hora e reuniu ainda o subsecretário de América do Sul, Ênio Cordeiro, e o diretor do Departamento da América Central e Caribe, Gonçalo de Barros Mourão.
Os parlamentares de oposição fizeram cobranças aos diplomatas brasileiros. Para o tucano Araújo, o status jurídico de Zelaya deve ser definido o mais rápido o possível para evitar mal-estar quanto à posição do governo brasileiro. “O Brasil tem cumprido seu papel histórico na diplomacia, que é de apoiar quem pede ajuda, mas é fundamental definir o status político do presidente Zelaya. Não pode continuar como está”, afirmou ele.
Para Jungmann, o governo brasileiro deve um pedido de desculpas à sociedade de Honduras por ter permitido que Zelaya desse declarações e entrevistas na Embaixada do Brasil em Tegucigalpa. “A meu ver, o pedido de desculpas é uma necessidade urgente, pois tudo ocorreu em território brasileiro, que é a Embaixada do Brasil”, ressaltou.
Amanhã (7) a comitiva parlamentar fará um relato minucioso sobre as atividades desempenhadas em Honduras durante sessão na Comissão de Relações Exteriores da Câmara. A sessão será dedicada exclusivamente à crise política no país vizinho e à atuação do governo brasileiro.
Para os parlamentares, tanto Manuel Zelaya quanto o presidente interino de Honduras, Roberto Micheletti, dispõem-se a buscar uma alternativa negociada para encerrar a crise política que domina o país. Os parlamentares conversaram com representantes dos dois líderes, com políticos hondurenhos, com os 15 integrantes da Suprema Corte e com membros de associações de brasileiros e da sociedade civil.
Depois de três dias em Tugucigalpa, a comitiva parlamentar obteve a garantia de que os direitos dos cerca de 600 brasileiros que vivem em Honduras serão preservados, sem ameaças nem riscos à sua integridade. Após a entrada de Zelaya na embaixada brasileira, muitos dos que vivem lá receberam ameaças.
Segundo Rands e Araújo, as autoridades hondurenhas asseguraram a manutenção dos direitos de não violação aos brasileiros e o retorno dos serviços de comunicação, energia e água da representação brasileira.
No último dia 21, Zelaya e um grupo de correligionários se instalaram na Embaixada do Brasil. No momento, há aproximadamente 60 pessoas que acompanham o presidente deposto, além de diplomatas brasileiros e jornalistas. Zelaya foi deposto no dia 28 de junho em um golpe orquestrado por integrantes do Congresso, da Suprema Corte e das Forças Armadas do país.
Zelaya quer retomar a Presidência da República, mas o presidente interino, com apoio de algumas instituições e dos militares, resiste. Ontem (5) o governo interino revogou o decreto que restringia as liberdades civis. Autoridades estrangeiras e hondurenhas pressionavam pela revogação do decreto que suspendeu as liberdades de imprensa, associação e circulação.
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