2 de setembro de 2009

Lula faz discurso Histórico

 

 

 

Lula faz discurso de olho no petróleo, na história e em 2010

O pré-sal é "patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta segunda-feira ao encaminhar sua proposta para a megajazida petrolífera. Em um "dia histórico", Lula não recorreu a improvisos, que costumam conter as suas declarações mais incisivas. Porém o longo discurso lido e medido nem por isso foi menos politizado, de olho no petróleo, mas também na história e igualmente nas eleições de 2010.

Vermelho.org

Lula: pré-sal foi a "volta por cima" do "dinossauro"

"Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo", previu o presidente. As estimativas sobre o tamanho do pré-sal variam muito, chegando a 70 bilhões e até 100 bilhões de barris. O governo por enquanto trabalha sobriamente com 50 bilhões.
"Tempos de pensamento subalterno"
Uma das passagens mais fortes marcou as diferenças com a administração Fernando Henrique Cardoso. Sem citar nomes, Lula disse que em 1997, quando se estabeleceram as atuais regras petrolíferas, "o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa".
"Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro", afirmou Lula.
"Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições. Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil."
"Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente", prosseguiu Lula. Destacou a crise global, onde "os países e os povos descobriram que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos". Valorizou "o papel do Estado, como regulador e fiscalizador" e voltou a citar os feitos de seu governo na economia e em especial na Petrobras.
"Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo", resumiu Lula.
Três diretrizes contra os "perigos"
Para Lula, a riqueza do pré-sal, "bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo".
"Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios", advertiu ele. E lembrou a sina de "países pobres que descobriram muito petróleo" mas "continuaram pobres", pouis "o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição".
Para evitar esse risco, "determinei três diretrizes básicas", osque orientam projetos de lei enviados ao Congresso.
"Primeira: o petróleo e o gás pertencem a todo o povo brasileiro". Portanto, "a maior parte da renda gerada" permanecerá nas mãos do povo.
"A segunda diretriz é de que o Brasil não vai se transformar num mero exportador de óleo cru". Exportará gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, "que valem muito mais", geram empregos e "uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e serviços".
"A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro."
O novo marco regulatório
Com esses objetivos, Lula defendeu a mudança do marco regulatório para o pré-sal. "Seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade", afirmou. E justificou assim o sistema de partilha, onde "a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás".
Segundo Lula, o modelo de partilha permitirrá ao Estado controlar o processo de produção e "calibrar" seu ritmo, "de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado".
"Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa", argumentou o presidente.
A Petrosal, "imprescindível"
Para gerir os contratos de partilha, o governo propõe acriação de uma nova empresa estatal, a Petrosal. A Petrosal "não concorrerá com a Petrobras" mas será "a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando".
"Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera", argumentou Lula.
O novo Fundo, "uma mega-poupança"

O governo propõe também a criação do Fundo Social, que será responsável pela administração da renda do petróleo.
"De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro", disse Lula.
"De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros."
Já "a nossa querida e orgulhosa Petrobras" será fortalecida com o "status especial" de "única empresa operadora" no pré-sal. E a União fortalecerá sua participação acionária na empresa, no valor "de até 5 bilhões de barris equivalentes de petróleo.
"Benditos amigos do dinossauro"
O discurso também rendeu várias homenagens aos lutadores pelo petróleo no passado, "chamados de fanáticos e maníacos, de lunáticos", como Monteiro Lobato. E também aos "que saíram às ruas em todo o país na campanha do 'O Petróleo é nosso', uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos", disse Lula, alfinetando a mídia de hoje.
"Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro", afirmou.
"Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual."
"É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro."
Lula propôs o debate dos projetos de lei não só no interior do Congresso Nacional mas também com governadores e prefeitos, além de dizer estar seguro "de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos", sobre um assunto que " interessa a todos e depende de todos". "Quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate", chamou Lula.

Veja a íntegra do discurso de Lula:

"Minha querida companheira Marisa Letícia,
Excelentíssimo senhor presidente do Senado, José Sarney,
Excelentíssimo presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer,
Ministra Dilma Roussef, ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República; ministro Edison Lobão, de Minas e Energia, em nome dos quais cumprimento todos os ministros aqui presentes,
Quero cumprimentar todos os governadores que vieram ao lançamento do pré-sal,
Quero cumprimentar as autoridades dos Superiores Tribunais aqui de Brasília,
Quero cumprimentar os nossos amigos senadores e deputados que estão presentes,
Quero cumprimentar os membros do corpo diplomático,
Quero cumprimentar os prefeitos aqui presentes,
Em nome dos empresários eu gostaria de cumprimentar o nosso companheiro José Sérgio Gabrielli, presidente da nossa gloriosa Petrobras,
E o Luciano Coutinho, presidente do BNDES,
Minhas amigas e meus amigos,
Hoje é um dia histórico.
O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.
Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.
Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.
Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.
Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.
Minhas amigas e meus amigos,
O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.
Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.
Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.
Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.
Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.
Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.
Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.
Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.
A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.
A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.
Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.
Minhas amigas e meus amigos,
Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.
Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.
Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.
Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.
Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.
Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.
A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.
Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram... e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.
O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.
Meus queridos companheiros e companheiras,
Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.
A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.
Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.
Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.
E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.
Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.
Minhas amigas e meus amigos,
Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.
No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.
Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.
No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.
Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.
No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.
Amigas e amigos,
Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.
Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.
Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.
Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.
Minhas amigas e meus amigos,
Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.
Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.
Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.
Minhas amigas e meus amigos,
Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.
De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.
De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.
Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.
Minhas amigas e meus amigos,
Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.
A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.
Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.
Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.
Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.
Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.
Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.
Minhas amigas e meus amigos,
Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.
Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.
Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.
Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.
Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.
Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome... O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.
É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.
Muito obrigado, companheiros."

http://www.vermelho.org.br/noticia.php?id_noticia=114792&id_secao=1

30 de agosto de 2009

EUA: com os pés na Colômbia e os olhos no Brasil

 

Os EUA querem manter um papel protagonista no mundo e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir uma aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de garantir que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva. A presença militar na Colômbia é um passo nesta direção, mas o verdadeiro alvo de Washington na região é o Brasil, país com maior poder relativo da região. A análise é dos cientistas políticos argentinos Marcelo Gullo e Carlos Alberto Pereyra Mele.

Agencia Periodística del Mercosur

Nos centros de planejamento do traçado estratégico dos Estados Unidos sabe-se que passou o tempo da potência única e global. Para enfrentar a União Européia, China e Rússia, Washington quer assegurar o controle da América Latina. Para isso precisa “acabar” com o Brasil. As possibilidades de resistência na região, o papel da Unasul e outras iniciativas de integração – esses pontos foram de uma entrevista exclusiva à Agencia Periodística del Mercosul, concedida pelos cientistas políticos especialistas e geopolítica, Marcelo Gullo (autor dos livros “Argentina-Brasil: a grande oportunidade” e “A insubordinação fundadora. Breve história da construção do poder das nações”) e Carlos Alberto Pereyra Mele, do Centro de Estudos Estratégicos Sulamericanos.
Para Gullo, o interesse geopolítico dos Estados Unidos consiste em atrasar o processo de passagem da condição de potência global para a de uma potência regional. A crise que atingiu o país, acrescenta, não é conjuntural, mas sim estrutural, porque, pela primeira vez desde 1970, ocorreu uma dissociação entre os interesses da alta burguesia norte-americana e os do Estado. A partir da década de 80, as indústrias estadunidenses, buscando pagar salários mais baixos, foram para a Ásia para produzir para o mercado interno norte-americano, alimentando assim um processo de desindustrialização dentro do próprio território. “Isso gerou um enorme processo de desemprego. Esse seria o eixo conceitual da crise financeira global, deixando os EUA desindustrializado, sem empregos suficientes e com 40 milhões de pobres”, diz Gullo.
E acrescenta: “Os EUA querem manter um papel protagonista e, para tanto, tentam expulsar a China da África e impedir a aliança entre Rússia e Europa Ocidental. Essas duas grandes estratégias estão fracassando, daí a necessidade de colocar um pé na Colômbia, um passo para que a América Latina seja sua zona de influência exclusiva”.
Os EUA, lembra, só produzem 15% da energia que consome e a América Latina provê 25% de suas necessidades em matéria de recursos. Pereyra Mele assinala que “a Colômbia é um país bioceânico, é vizinho do país (Venezuela) que vende 15% do petróleo consumido pelos EUA e também do Equador, outro país petroleiro. Desde as bases navais de Málaga e Cartagena de Índias, Washington tem rápido acesso ao maior ponto de comunicação comercial do mundo, o canal do Panamá”. Na mesma direção, Gullo observa que a importância geopolítica da Colômbia para os EUA se expressa tanto no plano tático como no estratégico.
Do ponto de vista tático, ele assinala: “o complexo militar necessita criar focos bélicos para justificar a produção e renovação de material bélico. Sem tal esquema, esse aparato não tem como justificar sua existência”. E do ponto de vista estratégico, “o objetivo é conseguir a capitulação do poder nacional brasileiro; para isso, procura traçar um cerco em volta do Brasil, começando na Colômbia e com a idéia de continuar pela Bolívia e pelo Paraguai”.
Nesse marco, a América Latina é obrigar a reforçar seus acordos regionais, como Unasul, Comunidade Andina de Nações e Mercosul, para evitar fraturas e controlar as turbulências domésticas (como o golpe de Estado em Honduras), que possibilitem a expansão das forças armadas dos EUA na região. Para Pereyra Mele, “a solução ao problema colocado pela ofensiva estadunidense sobre a América do Sul passa pela defesa irrestrita das áreas por onde fluem e se conectam os três sistemas hidrográficos mais importantes: o Orinoco, a Amazônia e o Prata”.
“Para isso devem ser desenvolvidas políticas internacionais coerentes, levando em conta as limitações colocadas pela potência hegemônica. É muito importante aprofundar o Mercosul, aumentar a presença da Unasul e dos organismos de defesa regionais. É necessária a criação de um complexo industrial militar argentino-brasileiro para melhorar nossa capacidade de defesa, sem dependência externa, incorporando outros países”, conclui Pereyra Mele.
Para Marcelo Gullo, a América a conforma uma comunidade cultural única. “Lamentavelmente, do ponto de vista político, a região está dividida em duas. De um lado México, América Central e o Caribe, zona de influência exclusiva dos EUA, e de outro a América do Sul”.
A respeito dessa última reflexão, talvez pudesse se acrescentar que o ódio sistemático dos poderes estadunidenses à Revolução Cubana pode ser explicado pelo fato de esta ter sido a única experiência concreta de freio à hegemonia de Washington sobre as regiões Norte, Central e Caribenha da América Latina. Diante disso, conclui Gullo, “a responsabilidade principal é do Brasil, por ser o país com maior poder relativo da região. O problema é que a classe dirigente brasileira não compreende adequadamente que, para resistir à agressão dos EUA, precisa de sócios fortes e não fracos. Devem compreender que o importante não é sua industrialização isolada, mas sim a industrialização de toda a América do Sul”.
As mudanças de política militares que Barack Obama prometeu em sua campanha presidencial até agora não apareceram. A menos que alguém queira que o caráter identitário passa exclusivamente pela pigmentação da pele, nem que sequer podemos dizer que um afroamericano chegou à presidência. Para além do discurso, Obama solicitou ao Congresso dos EUA a aprovação de 83,4 bilhões de dólares em fundos extras para financiar as aventuras bélicas no Iraque e no Afeganistão, avança com a instalação de novas bases militares na Colômbia e manteve uma posição mais do que ambígua em relação ao golpe de Estado em Honduras.
O orçamento do Pentágono é 50 vezes superior ao total de gastos militares do conjunto de países do sistema internacional. Além disso, realiza os maiores investimentos, em nível mundial, em pesquisas militares e espaciais. Essa disponibilidade de recursos permite aos EUA agir de forma simultânea com ingerências bélicas em diferentes áreas do planeta.
Tradução: Katarina Peixoto

Onde é mesmo que fica o Brasil?

 

Para a maioria da imprensa estrangeira, se não estamos no melhor dos mundos, estamos fora do pior deles, pois o Brasil é um dos únicos países em que a pobreza está diminuindo, apesar das fragilidades e distâncias sociais continuarem de monta. Por outro lado, na imprensa brasileira, o presidente Lula ora aparece como um parvo, ora como um monstro, ora como apequenado. O caso Sarney – agora em vias de ser remetido a um sussurro obsequioso por ter se enredado no caso Arthur Virgílio – começa a ceder passo ao caso da ex-secretária da Receita Federal versus a ministra chefe da Casa Civil. O artigo é de Flávio Aguiar.

Flávio Aguiar

Data: 12/08/2009

Depois que os portugueses chegaram ao futuro Brasil, formaram-se duas visões complementares sobre a nova terra. Algumas descrições cobriam a “nova” terra com sinais paradisíacos, a partir mesmo da própria carta redigida por Pero Vaz de Caminha ao rei D. Manuel. O clima ameno, as populações nativas num estado semelhante ao que Adão e Eva deveriam estar ao sair do Éden bíblico, as frutas suculentas e estranhas para os europeus, entre muita outra coisa, por exemplo. Tudo isso foi estudado no notável “Visão paraíso. Os motivos edênicos no descobrimento e colonização do Brasil”, de Sérgio Buarque de Hollanda.
Por outro lado, motivos infernais também passaram a “povoar” a nova terra: seus jaguares, suas jibóias e sucuris gigantescas, o fumo por parte dos nativos, sua “indolência” na descrição dos europeus, tudo isso eram “coisas do demônio”. Também a situação social entrou nessa classificação, consagrando e criando a dicotomia. André João Antonil (pseudônimo do padre toscano João Antonio Andreoni) escreveu em seu livro “Cultura e opulência do Brasil por suas Drogas e Minas” que nossa terra era “o inferno dos negros, o purgatório dos brancos e o paraíso dos mulatos e das mulatas”. Na verdade, o que Antonil apontava era a formação de uma nova população mestiça em todas as classes sociais, mais afeita às coisas da terra do que os europeus recém-chegados (que tinham a idéia de voltar à sua terra de origem) e do que os africanos escravizados ou seus descendentes. Mas a dicotomia pegou: Brasil, paraíso e inferno simultaneamente. Até mesmo porque na cosmogonia medieval (ainda viva nos tempos coloniais e até hoje, aqui e ali) a saída do inferno ficava no sopé do monte do paraíso terreal.
Hoje, ressalvadas as proporções, tem-se a mesma impressão sobre o Brasil, lendo-se a mídia convencional estrangeira ou a nossa, nacional. Para aquela, se não estamos no melhor dos mundos, estamos fora do pior deles, pois o Brasil é um dos únicos países em que a pobreza está diminuindo ao invés de aumentar, e apesar das fragilidades e distâncias sociais continuarem de monta. Digamos que na imprensa internacional o Brasil é descrito como atravessando um ciclo virtuoso, com a melhora da situação social fortalecendo a democracia e vice-versa. Não que não haja problemas referidos, é óbvio. Mas a moldura é aquela. E isso vale para jornais e publicações que vão da centro-direita à centro-esquerda (para usar uma classificação vigente nas próprias publicações européias, pelo menos).
Já entrando pela nossa congênere nacional, quanto ao Brasil só dá m... , para referir uma palavra do calão que serve como autêntico eufemismo para o que descreve do nosso país. O presidente Lula ora aparece como um parvo, ora como um monstro, ora como apequenado, ora como onipotente. O caso Sarney – agora em vias de ser remetido a um sussurro (silêncio seria demais de vergonhoso) obsequioso por ter se enredado no caso Arthur Virgílio – começa a ceder passo ao caso da ex-secretária da Receita Federal versus a ministra chefe da Casa Civil. E isso é o de menos. Dá-se ao contrário: não é que não haja virtudes a se referir sobre o país. Mas elas são sistematicamente escamoteadas. E isso vale para toda a nossa imprensa convencional (com exceção de Carta Capital e mais alguma que agora me escape), da direita à direita, porque todas as outras estão neste canto do ringue, acuadas ou desferindo murros à esquerda e à esquerda.
Brasil, paraíso, inferno, inferno, paraíso: a dicotomia continua. Mas o interessante é que na última moldura política a nossa extrema esquerdireita também entrou em ação. Refiro-me aos internautas que, propondo-se de esquerda, ativam ou repetem toda a cantilena da direita. Recentemente, por exemplo, recebi num de meus endereços da internete interessante mensagem do sr. Pedro Porfírio, ativíssimo crítico do governo Lula, pretendendo-se pela esquerda, contra Sarney e sua “defesa pelo governo”. Vem até uma convocatória para manifestações nacionais, no dia 15/08, contra Sarney, etc. Pois na mensagem consta um libelo contra Sarney, o governo e seus programas sociais, assinado pelo General de Exército Gilberto Barbosa de Figueiredo, presidente do Clube Militar.
Pasmo, não pude deixar de ler, entre outras bobagens, que o programa Bolsa Família é “o maior programa de compra de votos do mundo”, que o governo quebra “o espírito combativo que era marca do movimento estudantil”, que “eliminou-se toda a possibilidade de agitações de rua indesejáveis” (por um momento pensei que o general e o Pedro Porfírio estavam se referindo ao golpe de 64, mas não, era ao governo Lula mesmo).
Confesso que o nojo subiu-me à cabeça. Já andava cansado de ler em comentários de leitores nas páginas na internete dos jornais tradicionais a defesa dos golpistas de Honduras. Mas agora que se queira misturar tantos alhos e bugalhos numa pretensa crítica “avançada” ou “progressista” ao governo Lula, foi demais.
Diz-me com quem andas, e dir-te-ei quem és. Aconselho esses notáveis escribas e políticos que enveredem pelo mesmo caminho a visitar o site do Clube Militar (www.clubemilitar.com.br) . Lá encontrarão, entre pressurosas defesas do golpe em Honduras, esta interessante manifestação do seu general presidente sobre um brasileiro ilustre, feita em 26 de janeiro de 2007 e também publicada na revista do Clube, n* 424, de abril daquele ano, durante um almoço que homenageava este personagem de nossa história:
“a [sua] luta continua sendo uma batalha em prol da democracia, na medida em que representa a verdade contra a mentira, a dignidade contra a infâmia, a honradez contra a vilania, o patriotismo contra a traição”.
O patriota em questão, também homenageado na ocasião por discurso do ex-senador Jarbas Passarinho, era o Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra, ex-comandante do DOI-CODI, em São Paulo.

26 de agosto de 2009

Quem quer tomar o pré-sal do Brasil e os seus lobbies

 

FERNANDO SIQUEIRA*

A primeira fonte de pressão sobre o pré-sal são os Estados Unidos, com 29 bilhões de barris de reservas e consumo anual de 10 bilhões. A segunda fonte é o cartel das Sete Irmãs, que já teve controle de 90% das reservas mundiais e hoje tem em torno de 3 a 6% dessas reservas. E nessa condição estão fadadas a desaparecer.

Quem dominou o setor durante 150 anos, com todo tipo de atitude, como subornar, destituir ou assassinar presidentes que nacionalizaram o petróleo, como Jayme Roldós do Equador, que foi assassinado, Enrico Mattei da Itália, que foi assassinado, Mohamad Mossadeg do Irã, que foi deposto. Foram assassinados oito poetas da Nigéria porque eles gritavam ao mundo que a Shell estava destruindo as terras agricultáveis do povo Ogani e agora a Shell está sendo processada, 20 anos depois. A Exxon está sendo processada por causa do derrame no Alasca. Enfim, essas empresas dominaram o setor com mão de ferro e não vão vender barato a sua derrota, sua extinção.

A primeira providência da Exxon foi se fundir para sobreviver. A Exxon e a Móbil se fundiram e criaram a ExxonMobil, a maior empresa de petróleo do mundo e não tem reservas. Mas tem um faturamento brutal, o maior faturamento do mundo.

A Chevron se fundiu com a Texaco e com a Gulf (todas americanas). A British Petroleum da Inglaterra se fundiu com a Amoco dos Estados Unidos. Essas empresas estão se fundindo para não desaparecer. Mas só a fusão não é suficiente. É preciso reservas. Então elas querem o pré-sal, até porque três delas são americanas e uma é anglo-saxônica.

A Total, européia, se fundiu com a Fina. Uma francesa com uma belga. E a Totalfina com outra francesa, a Elf. Essas empresas formam o novo cartel denominado “BIG OIL” e se fundem para sobreviver. Estão atuando fortemente nos três Poderes brasileiros. Nós tivemos esse ano, quatro audiências públicas no Senado. Cada audiência pública com cinco meses de exposição, debate; cada mesa com dois lobistas de peso. No dia 3 de junho, foi feita a primeira na Câmara. Coincidentemente, os lobistas defensores da atual legislação são os mesmos. É o presidente do IBP, João Carlos de Luca, que também é presidente da Repsol, que é uma empresa espanhola comprada pelo Royal Bank of Scotland, que também é dono do Santander, que comprou o Banespa numa condição absolutamente indefensável. Enfim, a Repsol é uma empresa anglo-saxônica, braço das Sete Irmãs.

Comprou a YPF da Argentina e a ENI da Itália. Ela está na Argentina, na Colômbia, na Bolívia, no México, enfim, essas empresas estão fazendo todo o possível para que não mude o marco regulatório brasileiro, para que elas mantenham as vantagens nele contidas. Em contrapartida, “as novas irmãs” são oito estatais que detêm 65% das reservas: Saudi Aramco, Gazprom (Rússia), Inoc (Irã), Petronas (Malásia), PDVSA (Venezuela), Pemex (México), Petrochina e Petrobrás. Além dessas, tem a Nigeriana NNPC e a NIOC do Iraque.

Estão nas mãos das empresas estatais cerca de 80% das reservas, com tendência a aumentar essa posse porque as empresas e os governos se deram conta do alto valor estratégico que o petróleo representa. As chances das irmãs privadas conseguirem novas reservas são muito complicadas. O pré-sal é uma das alternativas que está mais à mão delas, se nós brasileiros não reagirmos, claro.

* Presidente da AEPET.

Texto extraído do livro  “O  pré-sal é nosso - pelo retorno da Lei 2004”.

6 de agosto de 2009

Os interesses econômicos que sustentam o golpe em Honduras

 

Honduras tem muito petróleo, conforme mostraram as prospecções feitas por uma empresa norueguesa há um ano, a pedido do presidente Zelaya. O presidente deposto acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela. O projeto de Zelaya para a nova Constituição previa que os recursos naturais de Honduras não poderiam ser entregues para outros países. O artigo é de Frida Modak, ex-secretária de imprensa do presidente Salvador Allende.

Frida Modak - ALAI-AmLatina

Completou-se um mês do golpe de Estado em Honduras e, como em toda a ditadura, se mantém o Estado de Sítio, as garantias individuais existem só no papel e os poderes Legislativo e Judiciário são um apêndice do regime de fato. Os hondurenhos, assim como a quase totalidade dos povos latinoamericanos, já viveram essa realidade antes e a rechaçam.
A comunidade internacional também rechaçou o golpe de 28 de junho e adotou acordos claros de condenação aos golpistas, demandando a restituição em seu cargo do presidente constitucional Manuel Zelaya. Mas as coisas já não são tão claras nem categóricas e os motivos são alheios aos interesses do povo hondurenho e dos latinoamericanos em geral. Da mesma maneira, as justificações dadas pelos golpistas não são verdadeiras porque o golpe serve aos interesses do grupo de poder encabeçado pelo ex-vice-presidente dos EUA, Dick Cheney, cujos operadores há tempo pululam pela região e buscam infiltrar-se nos governos.
O grupo de Cheney, do qual são parte também os Bush, se interessa fundamentalmente no petróleo, por isso invadiram o Iraque e o Afeganistão, avançaram contra o Irã e tentam derrubar o presidente Hugo Chávez, fazem o mesmo com Evo Morales, atacam o presidente equatoriano Rafael Correa e desejam o petróleo cubano da zona do golfo do México.
Honduras tem muito petróleo, como disse Gerardo Yong no dia 19 de julho. As prospecções foram feitas por uma empresa norueguesa há um ano, convocada pelo presidente Zelaya que, como já foi informado, acionou judicialmente as empresas estadunidenses que vendiam petróleo caro a seu país e se juntou ao grupo Petrocaribe, criado pela Venezuela.
A empresa norueguesa que fez as prospecções e as financiou, entregou um relatório ao governo de Zelaya e ficou com uma cópia que pode negociar com empresas que estejam interessadas na informação sobre essas reservas. Para além disso, porém, e isso se sabia, se fosse aprovada a consulta destinada a determinar se deveria ser instalada a quarta urna nas eleições de novembro, na qual se votaria sim ou não à convocação de uma Assembléia Constituinte, o projeto de Zelaya na eventual nova Constituição era estabelecer que os recursos naturais do país não poderiam ser entregues para outros países.
Em conseqüência, o pretexto para o golpe de Estado foi a consulta sobre a quarta urna, mas o objetivo foi evitar que se pudesse ditar uma Constituição que impedisse apoderar-se do petróleo hondurenho. Nessa conspiração, estiveram Otto Reich e sua “fundação” Arcadia, e o embaixador estadunidense em Honduras, Hugo Llores, nomeado pelo governo de Bush e Cheney. Mas também participaram do complô os donos dos meios de comunicação, porque se estimava que a nova Constituição deveria promover uma distribuição igualitária do espectro radioelétrico, garantindo a participação dos grupos comunitários. Daí a desinformação que sai hoje de Tegucigalpa.

As mediações
Na reunião da Assembléia Geral da OEA, realizada em São Pedro Sula, Honduras, viu-se que a secretária de Estado dos EUA não gostou da intervenção do presidente Zelaya em defesa da revogação da expulsão de Cuba desse organismo. Dado o escasso conhecimento da sra. Clinton sobre a América Latina e estando ela rodeada de funcionários do “establhisment” e de outros mais perigosos, como John Negroponte, sua reação ao golpe hondurenho foi superficial, assim como foram vagos os comentários iniciais feitos pelo presidente Obama.
Quando toda a América Latina e o Caribe, a Assembléia Geral das Nações Unidas e a União Européia já tinham condenado categoricamente o golpe e pediam a restituição de Zelaya, os EUA modificaram seu discurso e o Departamento de Estado propôs a mediação do presidente da Costa Rica, Oscar Arias, em um contexto que pedia, na verdade, o cumprimento dos acordos das entidades internacionais. Arias, que não foi “o” pacificador da América Central, porque foram muitos, e que recebeu um prêmio Nobel da Paz destinado originalmente a Costa Rica por ser um país sem exército, aceitou a mediação e entregou uma proposta que foi rechaçada pelos golpistas porque defendia a restituição de Zelaya na presidência. Então, elaborou outra fórmula, que satisfaz melhor os interesses estadunidenses, na medida em que converte Zelaya em uma figura decorativa e antecipa as eleições de novembro, com o que se passa um borrão, zera-se a conta, e o golpe de Estado desaparece em um passe de mágica.
Esta segunda proposta tropeça no mesmo obstáculo; o regime de fato sequer aceitou a restituição de Zelaya no cargo de presidente e deu início a uma farsa mediante a qual “consultarão” os outros poderes. O Legislativo se reuniu e tratou de vários pontos da proposta, menos o relativo à restituição do presidente. O poder Judiciário tampouco aceitou esse ponto, sobretudo pelo fato de que o presidente da Corte Suprema já reconheceu que ele também poderia ocupar a presidência de acordo com a “Constituição”, justificando o golpe como “um caso de necessidade”.
Neste contexto, o secretário geral da OEA buscou outros mediadores: os ex-presidentes Ricardo Lagos, do Chile, e Julio Maria Sanguinetti, do Uruguai, aos quais se somaria o peruano Rafael Pérez de Cuellar, ex-secretário geral da ONU. Ao escrever estas linhas ainda não havia sido formulada a idéia, mas outra equipe mediadora implica dar mais tempo ao regime de fato e, com isso, pode-se terminar avalizando a trapaça para chegar às eleições de novembro ou antecipá-las, deixando o golpe de Estado no limbo.

Os golpistas
Como se tornou visível, os golpistas vivem em um passado muito passado. Quando se reuniram no Congresso para “substituir constitucionalmente” a Zelaya, a sessão parecia com a de uma confraria de séculos atrás, com todo um cerimonial que já não é empregado em parte alguma. Seus chanceleres dão uma idéia do segmento social que representam. Ortez, o primeiro deles, retratou a todos quando disse a respeito de Barack Obama: “esse negrinho não sabe onde fica Tegucigalpa”. Mudaram-no de lugar, mas quando foi falar do secretário geral da ONU, repetiu a dose: “esse chinesinho que não me recordo como se chama”.
Ortez já está em sua casa, mas por ser imprudente e não porque suas palavras não representem o pensamento da soberba oligarquia hondurenha que tomou o poder, entre os quais há muitos com aparência de “negrinhos” e “chinesinhos” que não se vêm a sim mesmo como tais, mas sim ao povo que desprezam. Portanto, o desafio que representa a reação popular ao golpe é intolerável.
O grupo golpista é liderado por Roberto Micheletti, um empresário do setor de transporte que fez fortuna. Nunca conseguiu que seu partido, o Liberal, o nomeasse candidato à presidência; perdeu em todas as oportunidades que tentou e tem a fama de homem bruto. Na Secretaria de Defesa dos Direitos da Mulher há três denúncias contra ele, sendo que nenhuma delas foi levada adiante pelo órgão.
Um dos incidentes ocorreu na reunião de seu partido que definiu o candidato presidencial do Partido Liberal para as eleições de novembro. Micheletti não só perdeu, como foi vaiado pelos assistentes. Como prêmio de consolação, deram a ele a presidência do Congresso e quando ia subir no palanque do encontro, uma jovem do grupo de protocolo, chamada Suyapa, pediu que ele esperasse um momento porque não tinham terminado de colocar as cadeiras. Irritado pelas vaias que havia levado, Micheletti desferiu um tapa na cara de Suyapa, causando-lhe um corte na boca.

Um mês de protesto popular
Desde o momento em que os hondurenhos se inteiraram do golpe de Estado, é preciso recordar que os meios de comunicação foram censurados, e os protestos têm sido permanentes. Os manifestantes estão na rua todos os dias e não estão dispostos a ceder. A imprensa dos EUA reconheceu isso e realizou pesquisas rápidas junto aos manifestantes. Eles responderam que Zelaya foi o primeiro presidente que havia se preocupado com eles e que com quem podiam falar sem termos sobre seus problemas e aspirações. O resultado dessas pesquisas foi publicado pelo Washington Post.
Em Honduras, que tem um pouco mais de 7 milhões de habitantes, a maioria é pobre, mas há cerca de 1,5 milhão que são absolutamente pobres. O governo de Zelaya começou a se ocupar dessa parcela da população através do programa Rede Solidária, coordenado pela esposa do mandatário. Para determinar o grau de pobreza, tiveram que fazer uma medição baseada em averiguar se comiam. E se a resposta fosse afirmativa, perguntar o quê e quantas vezes ao dia.
Também foi preciso estabelecer onde e como viviam, se era em casas, se essas casas tinham portas e janelas, se tinham algum serviço, porque não tinham trabalho nem endereço fixo. Cerca de 200 mil famílias já tinha sido incorporadas ao programa e, desde o início do golpe, não recebem ajuda alguma. Inclusive é possível que não alguns nem saibam o que ocorreu; outros saberão por causa da repressão.
No entanto, apesar do Estado de Sítio e do toque de recolher, aumenta a cada dia o número dos que chegam a El Ocotal, na Nicarágua, para somar-se ao acampamento daqueles que apóiam o presidente Zelaya, que se encontra ali, depois de ter ingressado em território hondurenho (e retornado). O presidente solicitou às Nações Unidas o status de refugiado e a ajuda correspondente a todos os que estão ali para acompanhá-lo, porque se regressarem a Honduras estão ameaçados com uma condenação a seis anos de prisão por “traição à pátria”, a qual, pelo visto, só pertence aos golpistas.
Ao longo desta semana, estão convocadas greves e muitas outras manifestações de protesto. A pergunta que fica é até que aponto podem seguir sendo ignoradas e reprimidas em defesa de interesses alheios e de um governo ilegítimo. Ainda mais quando essa manipulação aponta também para toda a América Latina e para as instituições criadas recentemente: Unasul, Mercosul, Alba, Petrocaribe, Banco do Sul, Grupo do Rio e alguma outra que me escapa agora, na medida em que priorizam os interesses da região.

Frida Modak é jornalista, foi secretária de imprensa do presidente Salvador Allende, no Chile.
Tradução: Katarina Peixoto

A geopolítica e a geoeconomia das nações no início do século XXI

 

As transformações geoeconômicas e as reconfigurações geopolíticas deste início de século XXI explicitam a natureza do poder capitalista em geral, mas não evidenciam a derrocada do poder norte-americano em particular. Essa é uma das teses centrais do livro "O mito do colapso americano" (Record), de José Luís Fiori, Carlos Medeiros e Franklin Serrano, que consagra uma década e meia de reflexões críticas sobre as transformações nas relações entre poder e dinheiro, Estados e moedas, no capitalismo contemporâneo. A resenha é de William Vella Nozaki.

William Vella Nozaki (*)

Resenha de:
FIORI, José Luís; MEDEIROS, Carlos & SERRANO, Franklin. O mito do colapso do poder americano. Record: Rio de Janeiro, 2008.

O mito de um colapso
O livro, lançado recentemente, "O mito do colapso do poder americano", consagra uma década e meia de reflexões críticas sobre as transformações nas relações entre poder e dinheiro, Estados e moedas, no capitalismo contemporâneo.
A tese partilhada pelos três autores, e explicitada já no título da obra, é inequívoca e serve como um alerta para os analistas apressados que, em tempos de crise financeira internacional, encontram ora a derrocada de um império e o fim do capitalismo, ora a desestruturação de uma hegemonia e a ascensão de uma ordem internacional mais equilibrada e pacífica.
Na contramão desses dois formatos de análise, o livro tomado em conjunto parece dizer: o analista que deseja argumentar em favor do colapso do poder americano deveria comprovar a diminuição da presença dos EUA, ou o enfraquecimento na representação de seus interesses nacionais, nos principais conflitos mundiais (José Luís Fiori). Mais ainda, deveria comprovar a desestruturação interna da economia, e, sobretudo da moeda, dos EUA (Franklin Serrano). E, além disso, deveria comprovar a fragilização externa do Estado americano, sobretudo diante do surgimento econômico do China e do ressurgimento militar da Rússia (Carlos Aguiar de Medeiros). Como não estamos assistindo a nenhum desses processos, o colapso do poder americano só pode ser um mito.

O poder americano
Em diálogo com as teorias do imperialismo e com as teorias dos ciclos hegemônicos, José Luís Fiori apresenta o diagnóstico acerca do poder global e da economia mundial que alinhava a obra: o autor nos lembra que ao menos desde a década de 1970 as tentativas de se prever o fim do poder americano, encontrando nele o colapso do próprio capitalismo, tornaram-se freqüentes. Entretanto, mais do que nunca, atualmente, tornou-se evidente como cada sinal apontado como indício do declínio americano converteu-se em manifestação de seu fortalecimento.
Assim é que, afirma Franklin Serrano, na década de 1970 a desestruturação do sistema monetário-financeiro internacional de Bretton Woods ao invés de questionar a importância do dólar coroou sua centralidade dando-lhe mais flexibilidade; do mesmo modo, na década de 1980, os EUA tornaram-se os principais devedores e importadores mundiais, mas antes do que provocar um desequilíbrio macroeconômico tais características serviram de motor à economia mundial; já durante a década de 1990, a difusão das políticas neoliberais serviu como instrumento para uma virada estratégica internacional norte-americana a fim de consolidar sua capacidade de revolução tecnológico-militar; por fim, na década atual, a derrota política no Iraque não foi capaz de diminuir o poder militar e bélico dos EUA, e, apesar da crise financeira global, não há indicativos de que a importância do dólar ou dos títulos da dívida americana seja reduzida.
Do mesmo modo, anota Carlos Aguiar de Medeiros, a recente ascensão de países como Rússia e China, ainda que partindo de determinantes nacionais, teve forte influência dos EUA.
Na Rússia, a recentralização do Estado à partir da mistura entre quadros políticos e militares consolidou uma nova realidade macroeconômica, marcada pela recuperação do complexo industrial-militar, pela ampliação dos investimentos e do consumo, pela consolidação das empresas estatais de petróleo e gás e pelo crescimento econômico, colocando a Rússia em lugar de destaque no sistema mundial. Mas essa nova realidade foi, quase sempre, condicionada pelas políticas dos EUA, desde o colapso da antiga URSS, passando pelos anos Ieltsin e culminando na ampliação do poder americano na Ásia Central e no Leste Europeu, o ressurgimento russo permanece ocorrendo à sombra dos interesses americanos.
Na China, a ascensão da economia a partir da combinação entre iniciativas de mercado e estratégias estatais introduziu novas políticas de investimento em setores de alta tecnologia e de infra-estrutura, o que vem gerando grandes mudanças em sua estrutura produtiva e nas condições sociais do país. A persistência do crescimento econômico acelerado faz da China um país decisivo na definição dos preços globais de matérias-primas e energia, colocando-a na posição de grande player internacional. Mas é bastante conhecida a simbiose entre a produção industrial chinesa e a circulação monetária do dólar, de maneira que a China deve ser percebida não como substituta dos EUA, mas como seu mais perfeito complemento no sistema mundial contemporâneo.
Com isso, anotam os autores, não se trata de deixar de perceber as mudanças e dificuldades porque passa a economia mundial e norte-americana, mas de ressalvar o que parece ser mais importante: o fato de que com certeza não se trata do fim do poder americano. O que parece acontecer, ao contrário, é uma alteração na direção de uma nova ordem mundial, com características mais imperiais do que hegemônicas.

Causas estruturais
Mas a interpretação desse processo passa por uma reconceituação da própria noção de poder, nesse sentido, o esforço teórico de José Luís Fiori merece atenção, pois traz novos elementos para a composição de uma teoria estrutural das dinâmicas conjunturais. Aqui, as clássicas relações entre Estado, capital e industrialização são substituídas por conexões entre guerra, moeda e mercantilização.
Para Fiori, a história do sistema interestatal capitalista pode ser compreendida em quatro etapas: o embrião do primeiro sistema europeu de guerras e trocas (1150-1350), o nascimento do sistema interestatal europeu (1450-1650), a formação do sistema interestatal capitalista, propriamente dito (1790-1914), além de um quarto momento, atual, em curso desde a década de 1970.
A eclosão de cada uma dessas etapas teria como causa a pressão competitiva entre os Estados, e como conseqüência o alargamento das fronteiras internas e externas, assim é que naquele primeiro momento as invasões mongóis e o expansionismo das Cruzadas resultaram na composição de unidades territoriais soberanas e competitivas; já no segundo momento, os conflitos intra-europeus entre Portugal e Espanha, e mais tarde entre Holanda, Inglaterra e França, desaguaram na colonização dos territórios americanos; enquanto no terceiro momento, a emergência de três grandes potências, EUA, Alemanha e Japão, resultou na incorporação dos continentes africano e asiático.
Por trás dessa lógica de sucessivas pressões e explosões situa-se o que o autor denomina de “associação indissolúvel e expansiva entre a necessidade da conquista e a necessidade do excedente”. Tal associação materializa-se num esquema hobbesiano em que as guerras estimulam a criação de impostos para financiá-las, as moedas surgem como forma de delimitar o horizonte territorial de captação de tributos, e, por fim, a circulação de uma unidade de valor padronizada acaba engendrando a troca e o comércio. Portanto, a anterioridade do poder sobre a riqueza é um dos princípios teóricos para se interpretar o capitalismo. Desse modo o império ou a vontade imperial, assim como a guerra e a preparação para a guerra, são os pré-requisitos para a existência dos Estados-nacionais, e a hierarquia entre eles é determinada pela capacidade de lastrear e firmar o valor de sua moeda privada e de seus títulos públicos.
Nesse arcabouço é logicamente impossível que algum Estado possa ou consiga estabilizar o sistema mundial, instável por natureza; além disso, a própria potência hegemônica, que deveria ser o elemento estabilizador, mais do que todos os outros precisa da guerra e da competição para seguir acumulando poder e riqueza, mais ainda: para se expandir, muitas vezes, ele precisa ir além e destruir as regras e instituições que ele próprio construiu.
A principal tese de Fiori, é que no nosso sistema interestatal capitalista ordem e desordem, expansão e crise, paz e guerra são elementos inerentes, por isso guerras e crises não indicam, necessariamente, finais ou colapsos dos Estados e economias envolvidas. Desse modo, as guerras e crises em curso desde a década de 1970 fazem parte de uma mudança estrutural de longo-prazo que aponta para um aumento da pressão competitiva mundial, para o início de uma nova corrida imperialista que se prolongará pelas próximas décadas e que terá a participação decisiva do poder americano.

Consequências conjunturais
A partir desses pressupostos é que se pode iniciar uma releitura da nova geopolítica internacional, destacando a dinâmica dos subsistemas estatais e das hegemonias regionais a fim de ressaltar como a presença norte-americana é atuante, e pode ser decisiva, em cada um dos tabuleiros da conjuntura internacional.
Para Fiori, a projeção internacional do poder americano é um fenômeno que começa pouco depois da independência desse país e se prolonga de forma contínua pelos séculos XIX e XX, entretanto, apenas no pós-guerra os EUA revelam sua estratégia hegemônica, convertida em estratégia imperial depois das crises da década de 1970. Além disso, os atentados de 11 de setembro de 2001 parecem desnudar o fato de que as disputas, típicas da Guerra Fria, entre as grandes potências não teve fim, nem após a queda do muro de Berlim tampouco após a desintegração da URSS. Vale lembrar, em 1989, o governo de George Bush (pai) é quem formula e anuncia pela primeira vez a doutrina estratégica norte-americana para o século XXI de “contenção preventiva universal”, contra qualquer tipo de concorrente que pudesse reproduzir a ameaça soviética ao poder americano; em 2001, o governo de George Bush (filho) converte aquele projeto em uma postura bélica explícita, assim sendo, as intervenções no Iraque, Afeganistão e a Guerra contra o Terror parecem sinalizar não a crise do poder norte-americano, mas a existência de contradições em uma tentativa expansiva. E, lembra o autor, apesar de seus revezes militares e de suas dificuldades econômicas os EUA seguem como o único player global, presente em todas as disputas decisivas ao redor do mundo.
A partir do exposto acima, vale a pena resgatar as principais consequências conjunturais decorrentes da análise estrutural apresentada pelos autores do livro.
Para José Luís Fiori, na geopolítica das nações deste início de século XXI, o Oriente Médio ocupa posição central dada a efervescente combinação entre disputas territoriais, conflitos religiosos e abundância de recursos energéticos. Desse modo, o fortalecimento do Irã e o radicalismo de Israel tendem a desencadear a hostilidade regional, com ressonância sobre países como EUA, China e Rússia cujo interesse no petróleo e no gás da região é crescente e estratégico. Mais ainda, uma aproximação entre o Oriente Médio e a Ásia Central envolveria todos os poderes que, de alguma maneira, estão envolvidos na disputa pela hegemonia eurasiana.
A Europa, por sua vez, repousa sob um dilema, a utopia pacifista e internacionalista da União Européia e a realidade pragmática e nacionalista de seus três principais sócios: França, Grã-Bretanha e Alemanha. Enquanto os franceses seguem desmontando as conquistas políticas e históricas do velho continente, os britânicos caminham rendendo graças ao americanismo do novo continente, ambos temem o fortalecimento dos alemães que já se apresentam no comando da política macroeconômica da região e são fortes candidatos a comandar, também, a política externa do continente, por intermédio de uma aproximação com a Rússia.
Aliás, um desafio e uma incógnita é desvendar o papel ocupado pela Rússia nesse novo cenário. A fragmentação imposta ao território russo após o fim da União Soviética, o apoio sistemático dado pelos EUA e pela União Européia à autonomia dos países da antiga zona de influência soviética, assim como a tentativa norte-americana de expandir sua fronteira bélica pelo Leste Europeu, não podem ser encarados como um avanço sobre uma área derrotada, aliada ou neutra. A reconstrução do Estado e da economia russas através do investimento no seu complexo industrial-militar e por meio da nacionalização de seus recursos energéticos não pode passar despercebida, arremata Carlos Aguiar de Medeiros.
No que se refere a Ásia, além de a região ter se transformado em um dos pólos fundamentais da acumulação capitalista e do desenvolvimento da economia mundial, uma disputa pela hegemonia regional envolve potências como Japão, China e Coréia. Enquanto a China patrocina uma aproximação estratégica com a Rússia, o Japão conta com o apoio permanente dos EUA. A situação torna-se mais complexa quando levamos em consideração a Índia, dado que o crescimento intenso desse país e da China os colocam frente a frente na competição, cada vez mais intensa, por recursos energéticos e alimentos.
A África, por seu turno, que seguiu à margem da globalização comercial e financeira nas últimas décadas, agora se apresenta como principal fronteira para a acumulação primitiva e para a expansão política e econômica do capitalismo asiático. Atualmente existem, principalmente, na África Negra uma centena de companhias chinesas e de projetos de investimento indianos, para não mencionarmos diversos outros países que buscam consolidar suas segurança energética a partir do território africano. Tudo indica que a África está se transformando em uma região privilegiada para uma nova corrida imperialista.
Por fim, na América do Sul, a emergência de forças políticas nacionalistas, desenvolvimentistas e até mesmo socialistas foi possibilitada pelo ciclo de crescimento da economia mundial, e, sobretudo, pelo peso decisivo da demanda e da pressão asiática. Em particular a China tem sido grande importadora de minérios, energia e grãos, estimulando o aumento no preço das commodities, fortalecendo a formação de reservas em moeda forte e a capacidade fiscal dos Estados, o que tem diminuído a fragilidade externa e melhorado a capacidade de negociação internacional desses países.
O Brasil, em particular, goza de posição favorável dada sua intensa capacidade de produção e exportação de petróleo e alimentos, além de controlar a maior parte do território da Amazônia. Vale notar que certa inserção externa ingênua e amistosa da América do Sul e do Brasil estão chegando ao fim, no médio prazo, é provável uma competição cada vez mais intensa entre o Brasil e os EUA pela supremacia na região.

O sistema mundial no século XXI
O quadro sintetizado acima evidencia a importância crescente do eixo oriental e a presença constante da força norte-americana. Com destaque especial para a associação econômica entre EUA e China (Franklin Serrano), para a aproximação entre Rússia e China (Carlos Aguiar de Medeiros) e para a possível aliança política entre Alemanha e Rússia (José Luís Fiori). É importante sublinhar, o soerguimento da China e a ressurreição da Rússia são pontos centrais para quem quer que pretenda analisar a conjuntura internacional atual, mais ainda, os simples rótulos de países emergentes ou de potências que combinam economia de mercado e planejamento estatal são insuficientes para flagrar o verdadeiro significado desse processo.
Além disso, pela primeira vez na história do sistema mundial, as relações entre países não desenvolvidos adquirem uma densidade e um dinamismo expressivo, mas antes de adotar fórmulas fáceis, como aquela que agrupa os países do chamado BRIC. Fiori destaca certas “convergências assintóticas” entre quatro grandes Estados-nacionais que se destacam no redesenho das relações internacionais, mas com papéis diferentes, assim o autor analisa as pretensões de hegemonia regional na China e na Índia e a falta de um projeto nacional claro no Brasil e na África do Sul.
Ou seja: as transformações geoeconômicas e as reconfigurações geopolíticas deste início de século XXI explicitam a natureza do poder capitalista em geral, mas não evidenciam a derrocada do poder norte-americano em particular.
Por fim, vale ressaltar, se nesse novo cenário como afirma José Luís Fiori, a América Latina começa a entrar em sua fase adulta, então o pensamento crítico produzido por esses três autores não pode ser outra coisa senão a primeira expressão dessa maturidade.

(*) Bacharel em Ciências Sociais (FFLCH/USP); mestrando em Desenvolvimento Econômico, área de concentração: História Econômica (IE/UNICAMP). E-mail: willnozaki@gmail.com

15 de julho de 2009

Quanto tempo vão durar as reservas minerais do Brasil?

 

por Pedro Burgos

 

 

NÍQUEL
MONTES CLAROS, NIQUELÂNDIA E JUSSARA/GO
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 82,5 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 9,6 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 116 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 7° maior produtor (5.1%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 7ª maior reserva (6,7%)
PARA QUE É USADO: Usado na fabricação de ímãs e moedas, principalmente
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 1,6 milhão de ton.
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 96 anos
BAUXITA
ORIXIMINÁ E PARAGOMINAS/PA
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 22 milhões
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 3,5 bilhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 159 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 2° maior produtor (12,4%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 3ª maior reserva (10,6%)
PARA QUE É USADO: Mineral mais abundante na crosta terrestre – representa 8% do peso do planeta –, é de onde se extrai o alumínio
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 171 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 195 anos
FERRO
OURO PRETO E SANTA BÁRBARA/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 317 milhões
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 26,1 bilhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 82 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 2° maior produtor (18,8%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 5ª maior reserva (7,1%)
PARA QUE É USADO: Principal componente do aço, é fundido desde 550 a.C.
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 1,69 bilhão
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 218 anos
ZIRCÔNIO
PRESIDENTE FIGUEIREDO/AM
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 26,5 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 3,66 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 138 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 4° maior produtor (2,9%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 7ª maior reserva (5,17%)
PARA QUE É USADO: Altamente resistente à corrosão, é usado na construção de reatores nucleares
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 10 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 77 anos
CHUMBO
PARACATU/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 26 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 52 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 96 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 11° maior produtor (0,8%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 1ª maior reserva (27,3%)
PARA QUE É USADO: Construção civil, baterias, munição e ligas metálicas
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 190 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 63 anos
MANGANÊS
MARIANA/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 3,1 milhões
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 565 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 176 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 1° maior produtor (25%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 2ª maior reserva (10%)
PARA QUE É USADO: É um dos compostos metálicos usados na liga que compõe o aço
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 12,5 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 453 anos
ESTANHO
JAMARI/RO
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 9,5 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 768 mil
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 80 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 5° maior produtor (2,7%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 3ª maior reserva (12,94%)
PARA QUE É USADO: Anticorrosivo, é acrescentado ao aço nas latas para preservar o alimento
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 302 mil
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 33 anos
URÂNIO
CAETITÉ/BA
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 190
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 390 mil
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 2052 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 14° maior produtor (0,8%) 
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 6ª maior reserva (8%)
PARA QUE É USADO: Combustível para usinas nucleares e bombas atômicas
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 46,4 mil
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 100 anos
NIÓBIO
NAZARENO E ARAXÁ/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 104,8 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 3,68 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 35 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 1° maior produtor (96%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 1ª maior reserva (96%)
PARA QUE É USADO: Usado em condutores e no marcapasso, por ser um metal não alergênico
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 108 mil
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 35 anos
DIAMANTE
JUÍNA/MT
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 200 mil carats (unidade específica para diamantes)
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 24,6 milhões de carats
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 123 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 9° maior produtor (0,11%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 6ª maior reserva (2%)
PARA QUE É USADO: Máteria-prima de jóias, tem cadeia de produção concentrada: 95% das gemas são cortadas na Índia e 80% vendidas em Antuérpia, na Bélgica
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 1,21 bilhão de carats
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 72 anos
CARVÃO MINERAL
CANDIOTA E GRAVATAÍ/RS
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 5,98 milhões
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 930 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 155 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 26° maior produtor (0,1%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 12ª maior reserva (0,09%)
PARA QUE É USADO: Largamente usado em usinas termelétricas dos EUA e da Europa e, mais recentemente, da China
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 6 bilhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 166 anos
ZINCO
VAZANTE/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 185 mil
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 6,4 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 159 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 13° maior produtor (1,8%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 10ª maior reserva (1,4%)
PARA QUE É USADO: Vasto uso, de baterias a moedas. Se a demanda mundial continuar crescendo, pode acabar em menos de 40 anos
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 10 milhões
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 46 anos
OURO
PARACATU/MG
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 40
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 1720
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 43 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 14° maior produtor (1,6%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 10ª maior reserva (1,9%)
PARA QUE É USADO: Além de ser matéria-prima de joalheria, o ouro é cada vez mais usado em eletrônicos
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 2500
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 36 anos
PRATA
MARABÁ/PA
PRODUÇÃO BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 6
RESERVA BRASILEIRA (TONELADAS/ANO): 11.689
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO ATUAL): 1948 anos
PRODUÇÃO BRASILEIRA x MUNDIAL: 36° maior produtor (0,1%)
RESERVA BRASILEIRA x MUNDIAL: 9ª maior reserva conhecida (2,1%)
PARA QUE É USADO: Usada em jóias, condutores e produtos farmacêuticos
PRODUÇÃO MUNDIAL (TONELADAS/ANO): 2500
QUANTO TEMPO VAI DURAR (COM BASE NA PRODUÇÃO MUNDIAL ANUAL): 28 anos
FONTES: DEPARTAMENTO NACIONAL DE PRODUÇÃO MINERAL (DADOS DE 2006), UNITED STATES GEOLOGICAL SURVEY (USGS), WORLD NUCLEAR ASSOCIATION, ENERGY INFORMATION ADMINISTRATION

http://mundoestranho.abril.com.br/geografia/

9 de julho de 2009

Gostemos ou não, aconteceu




08/07/2009 - 10:53

Prêmio de Lula orgulha o país, mas imprensa esconde

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu ontem à noite, em Paris, o prêmio Félix Houphouët-Boigny concedido pela Unesco (Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura).

Presidido por Henry Kissinger, ex-secretário de Estado dos Estados Unidos, o júri premiou Lula "por sua atuação na promoção da paz e da igualdade de direitos".

Não é um premiozinho qualquer. Entre as 23 personalidades mundiais que receberam o prêmio até hoje _ anteriormente nenhum deles brasileiro _ , estão Nelson Mandela, ex-presidente da África do Sul, Yitzhak Rabin, ex-premiê israelense, Yasser Arafat, ex-presidente da Autoridade Nacional Palestina, e Jimmy Carter, ex-presidente dos Estados Unidos.

Secretário-executivo do prêmio, Alioune Traoré lembrou durante a cerimonia na sede da Unesco que um terço dos vencedores anteriores ganhou depois o Prêmio Nobel da Paz.

Pode-se imaginar no Brasil o trauma que isto causaria a certos setores políticos e da mídia caso o mesmo aconteça com Lula.

Thaoré disse a Lula que, ao receber este prêmio, "o senhor assume novas responsabilidades na história".

Mas nada disso foi capaz de comover os editores dos dois jornalões paulistas, Folha e Estadão, que simplesmente ignoraram o fato em suas primeiras páginas. Dos três grandes jornais nacionais, apenas O Globo destacou a entrega do prêmio no alto da capa.

Para o Estadão, mais importante do que o prêmio recebido por Lula foi a manifestão de dois ativistas do Greenpeace que exibiram faixas conclamando Lula a salvar a Amazônia e o clima. "Ambientalistas protestam durante premiação de Lula", foi o título da página A7 do Estadão.

O protesto do Greenpeace foi também o tema das únicas fotografias publicadas pela Folha e pelo Estadão. No final do texto, o Estadão registrou que Lula pediu desculpas aos jovens ativistas, retirados com truculência pela segurança, e "reverteu o constragimento a seu favor, sendo ovacionado pelo público que lotava o auditório".

"O alerta destes jovens vale para todos nós, porque a Amaz}ônia tem que ser realmente preservada", afirmou Lula em seu discurso, ao longo do qual foi aplaudido três vezes quando pediu o fim do embargo a Cuba e a criação do Estado palestino, e condenou o golpe em Honduras.

"Sinto-me honrado de partilhar desta distinção. Recebo esse prêmio em nome das conquistas recentes do povo brasileiro", afirmou Lula para os convidados das Nações Unidas.

A honraria inédita concedida a um presidente brasileiro, motivo de orgulho para o país, também não mereceu constar da escalada de manchetes do Jornal Nacional. A notícia da entrega do prêmio no principal telejornal noturno saiu ensanduichada entre declarações de Lula sobre a crise no Senado e o protesto do Greenpeace.

É verdade que ontem foi o dia do grande show promovido nos funerais de Michael Jackson, mas também ganhou destaque na escalada e no noticiário a comemoração pelos quinze anos do Plano Real (tema tratado neste Balaio na semana passada) promovida no plenário do Senado, em que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso aproveitou para atacar Lula.

Diante da manifesta má-vontade demonstrada pela imprensa neste episódio da cobertura da entrega do Prêmio da Unesco, dá para entender porque o governo Lula procura formas alternativas para se comunicar com a população fora da grande mídia.

Muitas vezes, quando trabalhava no governo, e mesmo depois que saí, discordei dele nas críticas que fazia à atuação da imprensa, a ponto de dizer recentemente que não lia mais jornais porque lhe davam azia.

Exageros à parte, mesmo que esta atitude beligerante lhe cause mais prejuízos do que dividendos, na minha modesta opinião, o fato é que Lula não deixa de ter razão quando se queixa de uma tendência da nossa mídia de inverter a máxima de Rubens Ricupero, aquele que deu uma banana para os escrúpulos.

"O que é bom a gente esconde, o que é ruim a gente divulga", parece ser mesmo a postura de boa parte dos editores da nossa imprensa com um estranho gosto pelo noticiário negativo, priorizando as desgraças e minimizando as coisas boas que também acontecem no país.

Valeu, Lula. Parabéns!

Enviado por: Ricardo Kotscho - Categoria(s): Blog http://colunistas.ig.com.br/ricardokotscho/



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30 de junho de 2009

Gabrielli: “Melhor para União é garantir pré-sal à Petrobrás”




Sérgio Gabrielli: Petrobrás é que mais conhece o pré-sal

O presidente da Petrobrás, José Sergio Gabrielli, defendeu a mudança da legislação para a exploração do pré-sal e o controle do Estado sobre esta camada recém-descoberta. "O pré-sal é bilhete premiado. Tem de ser mais caro. Eu defendo que o Estado tenha um controle mais profundo dessas áreas, escolhendo o operador. Espero que seja a Petrobrás, porque é quem conhece mais", afirmou em entrevista para a revista Época, rejeitando o sistema de leilões que beneficia as multinacionais do setor.

"O modelo atual vem de um tempo em que o país não tinha acesso ao mercado internacional, a economia estava em crise e o preço do petróleo era baixo", disse, descartando o atual modelo de concessão no pré-sal porque "hoje o Brasil tem economia equilibrada. A Petrobrás está consolidada. No pré-sal, perfuramos 16 poços e, nos 16, há petróleo: 100% de acerto".

Em entrevista ao jornal Estado de São Paulo, Gabrielli rebateu as acusações perpetradas contra a estatal por parte da mídia, classificando a campanha como "fatos artificiais", "distorções" e "interpretações equivocadas". Ele citou órgãos como: O Globo, o Estadão, a Folha de S. Paulo e "uma revista".

Perguntado sobre os salários dos executivos da estatal, Gabrielli disse que "isso é um exemplo" porque "até o Estadão entrou nessa matéria muito ridícula".

Na entrevista, o presidente da estatal desmente todas as acusações e denunciou que o assunto sobre a remuneração dos dirigentes da Petrobrás "envolve um claro indício de crime de quebra de sigilo fiscal, porque, aparentemente, o repórter que fez a matéria pelo Correio Braziliense obteve de forma fraudulenta informações fiscais protegidas por sigilo (o jornal publicou reportagem mostrando que houve reajuste de 90% nos salários da direção da empresa entre 2003 e 2007). Dessa maneira, portanto, de um lado ela é evidência de um crime; de outro lado, do ponto de vista de valor, os valores são bastante modestos, comparados com empresas do mesmo porte. Todos os dirigentes da Petrobrás receberam R$ 7,108 milhões no ano de 2007. O Itaú teve R$ 244 milhões; o Bradesco, R$ 170 milhões; o Unibanco, R$ 153 milhões, o Gerdau, R$ 59 milhões; Vale, R$ 43 milhões; Sadia, R$ 16 milhões; Perdigão, R$ 14 milhões; Aracruz, R$ 9 milhões, CSN, R$ 9,5 milhões. Portanto, a Petrobrás é a menor de todas. Se comparar com empresas internacionais, então, a Exxon teve US$ 13,7 milhões, a BP, US$ 4,2 milhões. Então é absolutamente pequeno o tamanho da Petrobrás."

Sobre a relação deste reajuste, de 90%, com a inflação do mesmo período, de apenas 33,92%, o presidente da estatal explicou: "O valor dos dirigentes da Petrobrás é o teto da carreira. O presidente ganha 15% acima do salário do maior gerente e os diretores, 10% acima. Então, se você tem um salário que é baixo para diretores, achata toda a cadeia de salários da companhia. Isso torna mais vulneráveis os profissionais da companhia às atrações de mercado (...)". "O reajuste dos salários dos diretores da Petrobrás acompanhou os acordos coletivos. O reajuste dos trabalhadores da Petrobrás não é relacionado à inflação. Houve aumento real, sim, nestes últimos anos. Os trabalhadores ganharam, inclusive, mais do que o reajuste dos diretores. Não há nada que motive um escândalo. O que estão fazendo é exclusivamente coscuvilhice, é tentativa de criar fofoca muitas vezes repetida para virar verdade."

Gabrielli ainda afirmou que responderá a todas as questões colocadas pela CPI: "A Petrobrás está pronta para responder todos os temas do requerimento. Não temos problema nenhum". E disse em relação aos ataques da imprensa que: "estamos preparados. Nós ainda não atacamos ninguém. Só temos nos defendido".

--
Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
http://profjefersongeo.blogspot.com/

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Cordialmente,

Profº Jeferson Pitol Righetto
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Cortadores de cana conquistam direitos e condições de trabalho


Governo, entidades sindicais e 305 usinas assinaram documento que garante carteira assinada, material de segurança e transporte

Em cerimônia com a presença do presidente Lula, entidades sindicais de trabalhadores, governo federal e usineiros assinaram no dia 25 de junho o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar. O acordo histórico que trará justiça aos canaviais, como frisaram os sindicalistas, contou com a adesão de 305 das 400 usinas de açúcar e álcool do país (75%).

O documento garante carteira assinada a todos os cortadores de cana e elenca ainda uma série de outras medidas que beneficiará os trabalhadores, entre elas, fornecimento gratuito de equipamento de proteção individual, transporte seguro e duas pausas coletivas por dia. As metas de produção (metros ou quilos) serão estabelecidas através de negociação com os sindicatos de trabalhadores rurais de cada região, que terão papel ativo na fiscalização do cumprimento das novas normas, em parceria com o Estado. Além disso, o trabalhador cuja produção não atingir ganho igual ao piso receberá complementação salarial.

Entre os avanços do Compromisso, está o fato de que o contrato de trabalho passará a ser sempre feito diretamente entre a empresa e o trabalhador, acabando com a figura do intermediário (gato). A contratação do trabalhador migrante passará a ter intermediação do Sistema Público de Emprego e a aferição da cana cortada será feita com conhecimento prévio dos trabalhadores sobre o preço a ser pago e a forma de medição. Além de erradicar o trabalho infantil e forçado, haverá proteção ao desempregado, inclusive de trabalhadores no corte manual no período da entressafra. Também a partir de agora, as usinas deverão divulgar as regras no âmbito das relações de trabalho junto aos fornecedores independentes de cana-de-açúcar.

Durante o evento, o presidente foi homenageado por cortadores, de quem recebeu uma cesta com produtos derivados da cana. Para Lula, além do acordo servir de marco para os demais setores, é exemplar e responde às acusações de trabalho escravo orquestradas pelos países ricos para barrar a entrada do etanol brasileiro no comércio mundial. “Sei que o trabalhador de cana trabalha no pesado, mas é menos pesado do que trabalhar em uma mina de carvão, que foi o que transformou seu país numa potência [referindo-se ao desenvolvimento das nações ricas]. Tirem o dedo sujo de combustível fóssil do nosso combustível limpo, senão fica acusação por acusação”, disse Lula.

Como lembra o Ministério do Desenvolvimento Agrário, “grande e tradicional produtor e exportador de açúcar, o Brasil desenvolveu um dos mais bem-sucedidos programas de produção e uso de biocombustíveis baseado no plantio de cana-de-açúcar. A safra de 2008/2009 destinada à produção sucroalcooleira (somente açúcar, etanol e eletricidade) foi de 572,64 milhões de toneladas de cana. Há, ainda, a produção de cana-de-açúcar usada em produtos tradicionais, como a cachaça e a rapadura, e a alcoolquímica”.

“Política avança a negociação sobre alimentação”, diz Contag

Apesar das melhorias, os empresários continuam resistindo a arcar com o custo da alimentação e a reconhecer o direito da categoria a um piso nacional. “Não conquistamos, ainda, a comida dentro da marmita”, disse o presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag), Alberto Broch.

O acordo será monitorado pelo grupo de trabalho formado pela Contag, pela União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), pela Federação dos Empregados Rurais Assalariados de São Paulo (Feraesp) e pelo governo federal.

“A ideia é de que essas práticas aprovadas valham dois anos, com nossa avaliação a cada seis meses. É importante porque assim conseguimos reformular e avançar em vários outros itens que não tiveram acordo, como o da distribuição da alimentação gratuita, por exemplo,” afirma o secretário de Assalariados e Assalariadas Rurais da Contag, Antônio Lucas.

Na negociação, os trabalhadores foram representados pela Contag e a Federação dos Empregados Rurais Assalariados do Estado de São Paulo-CUT (Feraesp); os empresários, pelo Fórum Nacional Sucroenergético e pela União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo (Unica). Pelo Governo Federal, participaram a Secretaria-Geral e Casa Civil da Presidência da República e os Ministérios do Trabalho e Emprego (MTE), Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Desenvolvimento Agrário (MDA), Educação (MEC) e Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS).

26 de junho de 2009

Estados Unidos e Venezuela reatam relações diplomáticas


O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou na última quarta-feira, 24, que nos próximos dias o embaixador de seu país, Bernardo Alvarez, retomará suas funções diplomáticas nos Estados Unidos.

Da mesma forma, o representante norte-americano Patrick Duddy, se estabelecerá como embaixador na Venezuela.

“O secretário de Estado adjunto para a América Latina, Thomas Shannon, nos manifestou, como saiu em alguns meios de comunicação, todo o desejo do governo do presidente norte-americano, Barack Obama, para avançar em direção à melhora das relações entre os dois países”, afirmou o ministro venezuelano.

O porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, Ian Kelly, afirmou que a normalização das relações “beneficia ambos os países”.

Kelly explicou que desde que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, falou na 5ª Cúpula das Américas com o presidente venezuelano, Hugo Chávez, sobre a possibilidade de normalizar as relações, os países “trabalharam rumo ao objetivo de devolver os embaixadores” às capitais.

O tensionamento da relação diplomática entre Venezuela e EUA se iniciou com o aberto envolvimento dos EUA em apoio aos golpistas neste país e foi rompido em 2008, quando o presidente Hugo Chávez, decidiu expulsar do país o embaixador norte-americano, Patrick Duddy.

O ato foi feito em solidariedade ao presidente da Bolívia, Evo Morales, que também havia expulsado membros do corpo diplomático norte-americano de seu país devido à ingerência direta da embaixada nos assuntos bolivianos. O então embaixador dos EUA na Bolívia, Philip Goldberg, organizou reuniões com líderes de grupos separatistas que buscavam aplicar um golpe contra o presidente boliviano.

O líder venezuelano afirmou na época que as relações da Venezuela com os EUA seriam restabelecidas quando os americanos tivessem um novo governo que respeitasse a América Latina.

Após a chegada de Barack Obama à presidência dos EUA, ambos os chefes de Estado, expressaram o desejo de resolver suas diferenças e restaurar as relações entre as nações.

 

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Senadores defendem Venezuela no Mercosul

 

Em debate na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a entrada da Venezuela no Mercosul vem ampliando apoios entre os parlamentares, que têm sublinhado a “importância estratégica da integração para a geração de emprego e renda”.

“Posso garantir que vamos aprovar a entrada da Venezuela no Mercosul. Afinal, na relação comercial com o Brasil, é o país que garante o maior superávit, chegando à casa dos US$ 5 bilhões”, declarou o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).

O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) também está “otimista”, uma vez que o “debate transparente e democrático” permite ao conjunto dos parlamentares “ver com mais clareza a importância da integração regional”  e posicionar-se com “racionalidade e pragmatismo”. Mercadante lembrou que hoje o Brasil tem com o país vizinho seu maior saldo comercial: US$ 4,6 bilhões. “O melhor para o Brasil e para o Mercosul é dizer sim à Venezuela e sim à integração”, concluiu.

De acordo com a Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Venezuela (CamaraBV), nosso país já é o segundo maior exportador de automóveis e autopeças para a Venezuela, o terceiro maior exportador de eletro-eletrônicos, de alimentos, de máquinas e de equipamentos, e o sexto de produtos farmacêuticos. “Existe contudo, uma grande assimetria nestas relações comerciais: há um expressivo superávit em favor do Brasil. Não há dúvidas de que o desenvolvimento conjunto de ambos países poderá ampliar-se ainda mais com a aprovação pelo Senado da entrada da Venezuela no Mercosul”, declarou Darc Costa, presidente da CamaraBV.

 

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25 de junho de 2009

Racismo e interesses políticos


JUAN CARLOS ROQUE - DE GENEBRA

21-04-2009

A Conferência de Revisão do encontro de Durban sobre Racismo, Xenofobia e Intolerância, que acontece em Genebra até 24 de abril, foi marcada em suas primeiras sessões pelas acusações do presidente iraniano Mahmud Ahmadinejad contra Israel e pelas vaias quando foi interrompido com gritos de ‘assassino' tanto em plenário como na entrevista coletiva à imprensa.

Ahmadinejad é, até agora, o único chefe de estado presente à conferência, que se celebra sob um manto polêmico e o boicote dos EUA, Israel, Canadá, Austrália, Alemanha, Itália, Polônia, Nova Zelândia e Holanda.

Ahmadinejad, em primeiro plano:
críticas à Israel e à ONU.

Aconteceu o que estes países temiam, o presidente iraniano condenou o que chamou de "política repressiva" e "brutalidade" de Israel contra os palestinos.

Os delegados da União Europeia abandonaram o recinto após a entrada do presidente iraniano, que em sua intervenção denunciou essas atitudes do estado de Israel, apoiadas pelos EUA e vários governos ocidentais, como racistas. Horas antes, temendo o curso dos acontecimentos, Israel chamou seu embaixador na Suiça, em protesto ao encontro entre Hans-Rudolf Merz, presidente da Confederação Helvética, e Mahmud Ahmadinejad.

Como em Durban
Repete-se em Genebra o que aconteceu na Conferência de Durban, há oito anos, que também foi marcada pelo bate-boca surgido logo que as primeiras críticas a Israel foram feitas por países árabes. Naquela ocasião, Estados Unidos e Israel abandonaram o encontro antes do fim, mas os países europeus mantiveram sua presença para assegurar-se de que a declaração final eliminaria a crítica a Israel promovida pelas nações islâmicas.

Em uma coletiva de imprensa posterior a seu discurso, o presidente iraniano aproveitou para manifestar categoricamente que o Conselho de Segurança da ONU com sua estrutura atual é totalmente ineficaz. "O direito de veto é uma violação flagrante e delirante que deve ser eliminada", disse Ahmadinejad, afirmando que esta prerrogativa constitui-se num ato discriminatório em relação aos outros países-membros das Nações Unidas. Portanto, o Irã mantém sua proposta de um país, um voto.

Outra visão
A julgar pelas fontes contatadas pela Radio Nederland em Genebra, a realização desta conferência é por si só um sucesso, mesmo que não estejam presentes nações poderosas, que com sua ausência tentaram boicotá-la. Neste sentido, o panamenho Humberto Brown, representante do Comitê de Seguimento da Conferência de Durban, considera que a não participação dos EUA é um reflexo das contradições que surgem no seio do novo governo. "Barack Obama é vítima das prioridades da política exterior norte-americana".
Humberto Brown cita como exemplo o fato do tema de Israel ter se convertido no centro das discussões, fazendo com que o presidente dos EUA optasse pela ‘invisibilidade' de seu país, sobrepondo este compromisso político à necessidade de que os imigrantes e negros norte-americanos se vissem representados na conferência.

Por um documento equilibrado
Consultado pela Radio Nederland, o diretor da Rede Internacional de Direitos Humanos, o colombiano Ramón Muñoz Castro, lamentou essas grandes ausências dos países já mencionados, que consideram que o documento final tem pontos inaceitáveis. Não obstante, "todos esperamos obter um texto o mais equilibrado possível, que permita avançar no tema do racismo e da discriminação", afirmou.

Sem deixar de lado a importância que os Estados Unidos participem da conferência, Muñoz de Castro disse que, desde sua instalação, "o Conselho de Direitos Humanos tem operado sem contar com a presença de Washington, e pouco a pouco tem tratado de fazer seu trabalho. Todos sabemos que o enfrentamento político subsiste de todas as maneiras no Conselho. Isso dificulta as soluções e o alcance de documentos equilibrados, mas é a realidade política atual, é o que estamos vivendo."

Participação brasileira

O ministro da Secretaria Especial de Promoção de Políticas da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, chefe da delegação brasileira na Conferência de Revisão de Durban, critica o boicote dos Estados Unidos e afirma que o documento aprovado e negociado na semana passada "não traz nenhum tipo de constrangimento ao povo norte-americano e nenhuma menção desonrosa ou agressiva ao estado de Israel".

"Não participar é um problema para os Estados Unidos. Principalmente agora, que eles têm um presidente negro, uma liderança que busca restabelecer ao país a condição de diálogo no restante do mundo", afirmou o ministro brasileiro.

Ministro Edson Santos, chefe da delegação brasileira.
Foto: Marcello Casal/ABr

Ontem em Israel, durante abertura da cerimônia anual do Dia da Lembrança pelos seis milhões de judeus que foram mortos pelos nazistas alemães e seus colaboradores durante a Segunda Guerra Mundial, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, também chamou a conferência de Genebra de anti-israelense.

Em comunicado divulgado em Londres, a Anistia Internacional critica o boicote, ressaltando que os governos precisam estar presentes para "defender o que é justo e rejeitar com energia tudo o que é questionável".

Também faz um apelo para que os governos participantes continuem comprometidos com a luta contra o racismo. Para isso, segundo a Anistia Internacional, "devem resistir com força e responder a qualquer tentativa de politizar a conferência ou distrair do objetivo principal, que é fazer frente a qualquer tipo de racismo, discriminação racial, xenofobia ou intolerância em qualquer parte do mundo". (Agência Brasil)

18 de março de 2009

China preocupa-se com segurança dos empréstimos que fez aos EUA

 

A Casa Branca asseverou oficialmente à China que “não existe aplicação mais segura no mundo” para as reservas de divisas do país asiático e pediu encarecidamente a Pequim que continue emprestando, em reação às preocupações manifestadas pelo primeiro-ministro chinês, Wen Jiabao, na semana passada, sobre a sorte de centenas de bilhões trocados por títulos do Tesouro dos EUA e papéis norte-americanos. “Para ser sincero, estou um pouco preocupado”, afirmou Jiabao, no último dia da sessão anual do pleno do parlamento chinês, na sexta-feira 13. “Já emprestamos muito dinheiro aos Estados Unidos”, acrescentou.

Sem esse dinheiro, os EUA não teriam como financiar seu déficit, que este ano, em decorrência da crise e da falta de poupança interna, chegará a 12% do PIB. A otimista declaração de que “não existe aplicação mais segura no mundo” foi feita pelo porta-voz Robert Gibbs. Desde setembro, a China ultrapassou o Japão como o maior credor dos EUA.

Nessa mesma entrevista, Jiabao havia reiterado que “é claro que estamos preocupados com a segurança de nossos ativos”. Afinal, somente em títulos do Tesouro e outros papéis o montante de dinheiro chinês emprestado aos EUA ultrapassa os US$ 727 bilhões. Diz-se até que o banco de hipotecas Freddie Mac só não faliu porque era “too chinese to fail” – “demasiado chinês para quebrar”. Também querendo tranqüilizar Pequim, o diretor do Conselho de economistas da Casa Branca, Lawrence Summers, garantiu que Washington “é um zeloso guardião” das reservas da China.

Prevendo um déficit de 1,752 trilhão de dólares para o exercício fiscal 2008-2009 que finaliza em setembro, agravado por medidas excepcionais tomadas para sustentar a economia americana, o governo dos EUA dificilmente pode dispensar os empréstimos apor-tados pela China.

14 de março de 2009

Diplomacia brasileira e reunificação coreana

 

Assumirá no final de março em Pyongyang a Embaixada do Brasil na RPDC – República Popular Democrática da Coréia, o diplomata Arnaldo Carrilho, que será nosso primeiro Embaixador naquele país amigo.

Profundo conhecedor da geopolítica asiática, de sua história, de sua economia e da milenar cultura de seus povos, Arnaldo Carrilho tem também uma grande experiência política e diplomática. Aos 71 anos, já foi embaixador por vários anos em vários países da Europa como a Alemanha Oriental, em países árabes como a Arábia Saudita e em 2007 foi o representante brasileiro em Ramallah na Cisjordânia.

Em recente entrevista veiculada pelo UOL, falou sobre seus objetivos à frente dessa nova missão a ele conferida pelo presidente Lula: “Estamos abrindo agora essa embaixada por que o Brasil é hoje em dia, um país que tem uma independência internacional muito marcante. Nós não temos problemas com alianças ou parcerias políticas, somos autônomos. Pouco a pouco, com o crescimento da atividade diplomática do país a gente vai abrindo pelo mundo afora novas missões diplomáticas. O Brasil está abrindo embaixada no Azerbaijão, em mais cinco países no Caribe e acabou de abrir no Mali e na Armênia. Isso faz parte do andamento natural da presença do Brasil no mundo”, disse.

Sobre se encontrará algum problema na Coréia Popular afirmou que “há outros [países] mais fechados. Não se esqueça que há países onde não há nenhuma forma de parlamento, nem de eleições. A Coréia é simplesmente o último em que estamos abrindo uma embaixada. Não vou dizer que a Coréia do Norte é um país aberto. É outro tipo de regime. A Coréia era um reinado até 1910 quando foi ocupada pelo Japão, era um país em que o poder passava dinasticamente. Eu espero que o Brasil contribua muito para que o regime de Pyongyang se sinta mais confortável porque afinal de contas, o Brasil será o primeiro país não socialista das Américas que abrirá uma Embaixada em Pyongyang. Espero que dê uma sensação agradável ao governo da Coréia do Norte. Ter o país de mais expressão da América Latina, sobretudo da América do Sul, presente com uma missão diplomática em Pyongyang é algo relevante. Tenho a impressão de que virão outros países para estabelecer relações diplomáticas com a Coréia do Norte. Pyongyang é uma cidade que ostenta quase 50 missões diplomáticas residentes”, afirmou o Embaixador.

Inteiramente sintonizado com a política externa do governo brasileiro, com o chanceler Celso Amorim e com o presidente Lula, o embaixador brasileiro na RPDC fez importante declaração acerca de questões candentes como a relação entre a Coréia do Norte e do Sul, a reunificação e o papel do Brasil. “O Brasil sempre favorece o diálogo. O país apoiaria qualquer forma de entendimento. O Brasil é favorável à reunificação da Coréia. Nós temos uma embaixada muito ativa em Seul e eu espero corresponder no Norte a essa atividade sob o ponto de vista político. O Brasil se propõe a ver uma Coréia unificada. Aliás eu creio que seja o desejo da comunidade internacional. Ninguém gosta de países de um mesmo povo divididos. No momento [as relações entre as duas Coréias] estão um pouco deterioradas. É sempre assim, tem altos e baixos. Mas são coisas naturais de governos de um mesmo país que têm idéias diferentes”, pontuou.

Arnaldo Carrilho quer desenvolver o comércio bilateral – 380 milhões em 2008 -, quer estimular o contato com empresas brasileiras como é o caso da Sadia que já está discutindo a exportação de carnes de suínos e frangos. O Brasil tem interesse na importação de magnesita cuja produção da RPDC é a segunda do mundo. “Vamos ver o quanto a magnesita norte-coreana poderá participar do comércio Brasil-Coréia do Norte. E quanto às relações políticas elas serão desenvolvidas conforme nossas relações bilaterais acontecerem”, sublinhou.

“O papel do governo brasileiro será de desenvolver relações em todos os sentidos: econômicas e comerciais, culturais, políticas e nos fóruns multilaterais. É uma tarefa bastante extensa. Vou promover a cultura brasileira lá. O líder da Coréia do Norte, por exemplo, adora cinema e espetáculos musicais, e o Brasil tem muito a oferecer para aquele país. Inclusive penso em promover uma exposição de artistas brasileiros que já ensaiaram arte realista-socialista, como se dizia antigamente. Mas ainda não há nada programado a respeito disso”, concluiu o Embaixador brasileiro.

ROSANITA CAMPOS

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